Não existe mágica

Faz um tempo desde que escrevi pela última vez. Tirei um tempo para descansar, viajar com a família e os amigos e, depois de algumas recomendações, comecei a acompanhar o seriado de ficção científica Black Mirror. A série traz várias discussões interessantes sobre como o progresso da tecnologia irá afetas grandemente nossas vidas. Naturalmente, existem outros pontos de debate abordados pela narrativa, mas nesse momento foquemos apenas no lado tecnológico da coisa. Um episódio em específico me chamou a atenção: “Be Right Back”, o primeiro episódio da segunda temporada. Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que meu ponto, neste post, não é criticar o episódio ou a série, ok? Segue abaixo a sinopse do episódio mencionado de acordo com a Wikipedia:

 

“O episódio conta a história de Martha (Hayley Atwell), uma jovem mulher que perde o namorado Ash (Domhnall Gleeson) em um acidente de carro. Enquanto está em luto, ela descobre uma tecnologia que permite a comunicação com uma inteligência artificial que imita Ash e, mesmo relutante, decide tentar. “Be Right Back” tem duas fontes de inspiração: o questionamento sobre excluir ou não o telefone de um amigo morto dos contatos e a ideia de que os posts do Twitter poderiam ser feitos através de um software que imita pessoas mortas.”

 

Simplificando e trazendo o debate para um ponto de vista tecnológico, no episódio existe um serviço capaz de criar assistentes virtuais extremamente personalizados que imitam comportamentos pessoais. Eles recriam a personalidade utilizando o conteúdo público das redes sociais e outras fontes como vídeos e e-mails privados. Sim, é assustador.

 

Porém, mesmo em um cenário altamente tecnológico onde era possível recriar uma pessoa (corpo e personalidade) o robô da série falha em efetivamente ser aquela pessoa, o que traz a Martha um mar de frustrações, visto que não recebeu aquilo pelo qual pagou.

 

No episódio, o robô de Ash falha no momento em que não possui informação suficiente para alcançar sua plenitude – existe uma lacuna que não pode ser preenchida pois existem momentos da vida humana onde não é comum dividir informações ou lembranças. Onde a única coisa que faz sentido é guardar o momento na memória. Trazendo isso para nossos dias atuais e para a febre cognitiva que estamos vivendo, serve para deixar claro que uma solução é tão boa quanto os dados que podemos fornecer a ela.

 

Nós estamos avançando rapidamente para os novos modelos e algoritmos que permitirão a entrega de soluções que não irão falhar ou frustar seus usuários. Nesse cenário, os dados representarão uma parte importante do processo de toda solução implantada. A tarefa difícil será reunir bons dados e manter clientes e usuários cientes de que infelizmente mágica não acontece. É  nosso trabalho aprender com as falhas e seguir aprimorando as soluções.

 

Obviamente existem muitos outros desafios pela frente, mas o que eu mais gosto é o seguinte: estamos treinando soluções do futuro com dados do passado. A questão é até quando isso vai funcionar? Deixo essa discussão para um próximo post.

 

Estou muito feliz de ter voltado. Desejo um 2018 incrível para todos vocês! Nos vemos nos próximos posts.